• Luiz Marcos Fernandes

Opinião

Por Luiz Marcos Fernandes


A via crucis de uma indústria



Às vésperas de mais uma temporada de férias e verão, a indústria do turismo tem a sensação de navegar em meio a um denso nevoeiro de incertezas. Se há alguns meses o clima era de otimismo em função do início da vacinação da população contra a Covid-19, agora já não se pode dizer o mesmo.


Os últimos resultados são pouco animadores para a economia e um dos segmentos mais afetados pela crise é o turismo. Os números não mentem: o desemprego e a queda no poder aquisitivo da população podem ser comprovados pelo fato do Brasil ter ficado em 38º lugar num ranking de 50 países, atrás do Peru, Chile, Lituânia, entre outros.


Quase 70% das principais operadoras de turismo só alcançaram o patamar de 25% do faturamento, num comparativo com a pré-pandemia. A CVC teve no segundo trimestre deste ano um prejuízo de R$ 175,6 milhões. Apenas 18% dos postos de trabalho perdidos no setor, foram recuperados até o momento no país. A indústria do turismo ainda precisa crescer 29,5% para retomar os níveis da pré-pandemia.


Quase 50 mil estabelecimentos fecharam suas portas por aqui, entre hotéis e agências de viagens. As perdas acumuladas de acordo com a Confederação de Bens e Serviços entre abril de 2020 e os últimos 12 meses somam R$ 341 bilhões. Segundo a Hotéis Rio, os meios de hospedagem registram taxas de ocupação média abaixo dos 30% e a estimativa é de que esse setor leve quatro anos para se recuperar.


As empresas aéreas também foram afetadas diretamente. A Azul registrou prejuízo de R$ 2,8 bilhões no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2020 e pelo menos 80% dos funcionários da empresa tiraram licença não remunerada. Só em fevereiro a queda no volume de voos foi de quase 35%.


Todos esses resultados são consequência de uma série de fatores, sendo a pandemia o principal deles. No Brasil, outros fatores se somam a isso, como a instabilidade política de um Governo que perdeu a credibilidade, e que tem como preocupação maior a garantia de uma continuidade, e uma política econômica desastrosa.


Todos esses fatores só fazem piorar a situação que enfrentamos. Neste cenário de incertezas de um governo que faz nosso país parecer uma verdadeira “República das Bananas”, o empresariado prefere se resguardar e esperar por tempos melhores. A ameaça de uma nova onda de contaminação pelo corona vírus, com a nova variante Delta aliada à postura do presidente Bolsonaro e sua trupe formam uma combinação que só gera insegurança em todos os setores da sociedade.


A todos que contrariam seus interesses, ainda que seja em defesa da democracia, são inimigos declarados. A expectativa da indústria do turismo é que com a abertura de fronteiras aos brasileiros de países como Espanha, Portugal e Peru contribua para uma lenta recuperação do turismo internacional. Já o turismo doméstico mantem os dedos cruzados para que as taxas de mortalidade e de contaminação continuem a cair. Só assim se pode colocar um fim a essa verdadeira via crucis.

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