• Luiz Marcos Fernandes

Em berço esplêndido

Por Luiz Marcos Fernandes






Com atributos como a diversidade, hospitalidade e riqueza em atrativos naturais, o Brasil não consegue ultrapassar a barreira dos 7 milhões de turistas estrangeiros, e pior, pelo “andar da carruagem” não vai conseguir superar esse desafio tão cedo. As razões pelos quais esse imenso “transatlântico” chamado Brasil não consegue sair do lugar são muitas, a começar pelo modo como a indústria do turismo é vista pelos nossos governantes. Mudam os governos e partidos, mas a política de tratar essa indústria geradora de empregos, renda e investimentos como uma fábrica de “fundo de quintal” continua a mesma. Basta fazer um retrospecto de quantos políticos ocuparam a pasta do Ministério do Turismo nos últimos anos: a média é de praticamente um por ano, desde que o Ministério do Turismo foi criado.


Não bastasse isso, os “entendidos” da gestão política do setor, em sua maioria, adotam medidas visando seu futuro político, ou seja, agem em causa própria. Enquanto países como Portugal comemoram recordes na entrada de turismo estrangeiro, nós vamos na contramão desta tendência. Só para citar um exemplo: nossos vizinhos lusos bateram o recorde histórico de 22,8 milhões de turistas estrangeiros em 2018, o que representa um aumento de 7,5% em relação a 2017. Já o Brasil, que sediou uma Copa do Mundo e uma Olimpíada nos últimos 5 anos, recebeu apenas 6,6 milhões, jogando fora essa janela de oportunidades.


Em apenas seis meses, o atual Governo já deu uma clara demonstração da incompetência e da falta de visão em relação à política de turismo. As nomeações do atual ministro, cabo eleitoral do presidente Bolsonaro, do presidente da Embratur e de um cidadão chamado Richard Rasmussen, biólogo e apresentador, como “embaixador do turismo”, demonstram claramente o que se pode esperar desta gestão. Pelos bastidores o que mais se ouve é a expressão “Meu Deus, o que mais falta ?”, utilizada pelos empresários de turismo. São verdadeiras aberrações como estas que comprovam a total falta de percepção de nossos governantes sobre a importância desta indústria. E isso não acontece apenas na área federal. Basta ver que boa parte dos estados e municípios adota política semelhante. A maioria deles decidiu até mesmo extinguir as secretarias de Turismo e transformá-las em departamentos sem recursos e pessoal técnico. Enquanto isso, o país jaz em berço esplêndido.

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